

Ao acordar peguei nos braços o máximo de coisas imaginárias que me faziam lembrar-se dele, coisas aquecidas pelo receio há algumas semanas. E logo ele se tornou presente. Ele era um visitante revistado pelo frescor térmico da possibilidade e logo tomou conta do quarto. Sendo tragado pela honra de uma hospedaria sincera. A vista parecia mais viva através dos seus olhares amáveis. E o sol, o sol parecia ser dele. E eu, o menino que brincava com fogo, fiquei quieto. Descobri também que mesmo lavando minha alma aqui tantas e tantas vezes, esse cheiro não sai. Acontece que agora eu já estou apaixonado e nada do que você disser será usado contra você.
É fácil gostar do frio, quando dentro nada mais bate. É fácil estar frio, quando se tem gelo no peito. Acontece que o gelo é colocado por mãos alheias. Eu não queria que o rosado das minhas bochechas tivesse dado lugar à outra cor qualquer, se é que há cor. Tão mais fácil do que se manter frio, é distribuir gelo em corações alheios, destruindo-os também. A suposta vingança tem gosto bom, e logo você toma o lugar do vilão. O coração precisa respirar, nunca desistir.

Eu tenho uma espécie de castigo, não sei, eu não consigo dormir. É como se eu precisasse ver o mundo o tempo todo, como se algo estivesse perto demais e eu não o enxergasse, como se eu tivesse procurado por algo muito tempo e estou bem perto e isso me roubasse o sono. Na verdade, eu só queria encher três sacos grandes desse cansaço e colocar de lado. Eu só queria que essa minha indignação durasse mais de uma semana. O comodismo sempre chega primeiro, sempre me toma. A gente finge que arruma tudo, joga tudo no canto esquerdo do peito e trata de esquecer.


